O que pode o cinema ainda fazer quando a omnipresença de imagens fê-las perder a sua capacidade de perturbar? Quando o vínculo entre imagem e ação parece ter sido rompido? O seminário Doc’s Kingdom 2026 parte destas questões para uma reflexão mais ampla sobre as condições de produção, divulgação, e recepção de imagens em tempos de expropriação acelerada e de brutalidade colonial genocida.
Assim, o programa inspira-se no trabalho de cineastas comprometidos com a imaginação revolucionária e com a reflexão sobre imagens históricas—que anteriormente se acreditava poder transmitir tal imaginação. Inspira-se ainda nas formas coletivas e comuns que nunca foram propriedade de uma única pessoa ou entidade, e na opacidade das imagens como reivindicação política. Em conjunto, os filmes dos cineastas evocam cinco séculos de resistência mesoamericana à violência colonial, evocam o movimento de libertação palestiniano e as consequências de experiências utópicas na ex-Jugoslávia, no Líbano do pós-guerra e no Portugal rural. O que une estes cineastas é menos um tema do que um conjunto de contra-correntes partilhadas: a recusa em conceber a imagem como mera prova documental; a memória como trabalho de desorientação coletiva e a criação de transes visuais e sónicos capazes de reativar uma sensibilidade entorpecida por feitiços algorítmicos.
Estes filmes resistem a uma tradução para a gramática audiovisual dominante e exigem dos seus espectadores algo que a atual economia da imagem desencoraja ativamente: arriscar contrafeitiços capazes de sacudir os nossos corpos e levá-los a movimentos.
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Abderrahmane Sissako é um realizador e produtor nascido na Maurícia, conhecido pelos seus filmes que exploram a globalização e a deslocação forçada. Estudou cinema no Federal State Film Institute em Moscovo e, nos anos 90, instalou-se em França. A sua primeira longa-metragem, Waiting for Happiness (2002), ganhou o Prémio FIPRESCI no Festival de Cannes de 2002. As suas longas-metragens Bamako (2006) e Timbuktu (2014) foram amplamente aclamadas, tendo esta última sido selecionada para competir pela Palma de Ouro e nomeada para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Adriana Vila Guevara é uma cineasta e antropóloga venezuelana que vive em Barcelona, Espanha. O seu trabalho move-se no âmbito do cinema experimental de não-ficção, influenciado por uma relação reflexiva com o mundo e com o ser. As suas peças fílmicas abraçam a materialidade e a imaterialidade cinematográficas, combinando formatos analógico-fotoquímicos e de vídeo, como canal único, performance cinematográfica e instalação. Adriana interessa-se pela intersecção entre poética e política, e como o cinema pode explorar e transformar estados de consciência (ou confusão), como um estímulo útil para os tempos que vivemos e os tempos que virão. Co-fundadora do laboratório independente de cinema analógico Crater-Lab, durante a última década dedicou-se ao desenvolvimento e partilha de processos DIY na produção cinematográfica analógica. Colabora com universidades nacionais e internacionais, instituições de cinema e arte, ensinando apaixonadamente práticas laboratoriais fotoquímicas experimentais e de não-ficção, bem como outras abordagens à antropologia e metodologias etnográficas para as artes. Tem exibido o seu trabalho em festivais e centros de arte relevantes, na Europa, América do Norte e América Latina.
Baviera, 1970. Vive em Lisboa há cinco anos, mas trabalha entre a Alemanha, Portugal e Noruega. É autor e encenador de vários projectos que combinam teatro com vídeo e documentário. Entre os seus mais recentes trabalhos estão Fiel Amigo — A Friend That Can Be Trusted, espectáculo que documenta histórias de amizades e serve ao público uma sopa de bacalhau, e What Keeps You Awake, baseado em relatos de insónias.
A cineasta e fotógrafa Alexandra Cuesta vive e trabalha entre o Equador e os Estados Unidos. Os seus vídeos e filmes em 16mm são retratos de lugares públicos, paisagens urbanas e das pessoas que os habitam. Reminiscente de práticas documentais como a fotografia de rua, o trabalho de Cuesta está enraizado na sensibilidade poética e lírica da vanguarda, combinando práticas documentais e antropologia visual, investigando a reciprocidade do olhar na representação baseada no tempo.
Aliona Polunina nasceu na Rússia em 1977. Antes de realizar documentários, estudou pintura e trabalhou como redatora em revistas de moda e estilo de vida. Em 2002, ganhou uma bolsa de estudo e inscreveu-se no curso superior de argumentistas e produtores, no departamento de filmes de não ficção. Licenciou-se em realização e escrita de argumentos em Moscovo em 2004.
Alison O’Daniel é uma artista visual e cineasta que trabalha com som, imagem em movimento, escultura, instalação e performance, cujo trabalho é gerado a partir de um profundo envolvimento com sonoridade, acústica, acesso e incorporação complexa. Informada pelas suas experiências como surda/com deficiências auditivas e colaborações com outras pessoas no espectro de surdez – incluindo compositores, atletas, músicos e atores – Alison constrói um vocabulário visual, auditivo e háptico que revela uma política de som que excede o auditivo. O seu filme mais recente e multipremiado, The Tuba Thieves (2023), usa roubos de tuba na vida real em Los Angeles como um trampolim para explorar criticamente como a história das segregações sonoras está profundamente enraizada nos espaços urbanos por meio do design e da mediação do som, como o som viaja através desses substratos e quem está autorizado ou obrigado a ouvi-lo. Ela é professora assistente de cinema no California College of the Arts, em São Francisco.
Amy Halpern (1953, Nova Iorque) estudou artes plásticas e dança, que praticou junto de Anna Sokolow e Lynda Gudde. Começou a fazer filmes em 8mm em 1972, mudou-se para Los Angeles em 1974 para estudar cinema na UCLA. É autora de cerca de 40 curtas-metragens, a maioria delas em 16mm, e de uma única longa-metragem, FALLING LESSONS (1991, 64’, 16mm). Halpern co-fundou duas cooperativas de exibição dedicadas a promover e divulgar cinema experimental: a New York Collective for Living Cinema (1972-1982) e a Los Angeles Independent Film Oasis (1975-1980). Alternou a sua própria criação fílmica com o trabalho noutras produções, dentro e fora de Hollywood, como directora de fotografia, iluminação e na área dos efeitos especiais. Colaborou com cineastas como Charles Burnett, Julie Dash, Shirley Clarke, Chick Strand, Barbara Hammer. Trabalhou também como arquivista, programadora e professora de cinema na Universidade do Sul da Califórnia, na UCLA e noutras instituições. Amy Halpern faleceu em agosto de 2022.
Andrijana Stojkovic captura gestos simples do quotidiano com uma precisão absoluta. A obra da realizadora sérvia, breve, por enquanto, oferece observações livres de diálogo sobre espaços tornados casa e a passagem do tempo nesses lugares interiores.
Aurélien Gerbault nasceu em 1975. Depois de estudos em História de Arte e Cinema, dirigiu cursos de iniciação ao cinema numa organização sem fins lucrativos. Interessou-se na escrita e realização de documentários, tendo feito uma formação profissional em 16mm. O seu encontro com Pedro Costa e a originalidade da sua abordagem cinematográfica, inspiraram-no a escrever Tout refleurit, no qual trabalha desde 2003.
Cineasta e videoartista israelita nascido em 1956 em Telavive, onde vive e trabalha até hoje. Estudou arte e filosofia, adquirindo as suas primeiras experiências de produção trabalhando como assistente de realização em anúncios publicitários e longas-metragens até a sua própria carreira cinematográfica começar em 1989. Desde 1999, ensina cinema documental e experimental na Universidade de Tel Aviv e na Academia de Arte e Design de Bezalel, em Jerusalém. Mograbi, um dos mais ilustres cineastas israelitas, é conhecido pelo seu empenho inabalável na justiça social, cultural e política no Médio Oriente, bem como pelo seu experimentalismo e contribuição inovadora para a linguagem cinematográfica.
Beatriz Freire (1989) é uma artista visual portuguesa, que trabalha entre Portugal e Espanha. O seu principal suporte teórico-prático é o têxtil e o fílmico. Em 2023 concluiu o Master LAV – laboratório de criação audiovisual e práticas contemporâneas – em Madrid, onde desenvolveu projetos que procuram expandir o têxtil no meio cinematográfico. Recebeu o primeiro prémio no concurso Versiona Thyssen X, organizado pelo Museu Thyssen-Bornemisza, em 2021. As suas performances e peças audiovisuais foram exibidas na Cineteca, Matadero (Madrid), na Semana Internacional de Cinema de Valladolid (Seminci), Festival Punto y Raya e participou nos programas Arché – Porto/Post/Doc e Input – (S8) Mostra de Cinema Periférico.
Ben Rivers estudou Belas Artes na escola de arte de Falmouth, interessando-se inicialmente por esculptura e só mais tarde por fotografia e filme analógico super8. Depois de terminar a sua licenciatura, continuou os estudos de forma autodidacta, aprendendo a filmar em 16mm e a revelar manualmente. O seu trabalho como cineasta anda na fronteira entre o documentário e a ficção. Em muitos casos, acompanha e filma pessoas que se separaram de alguma forma da sociedade, partindo desse material bruto para criar narrativas oblíquas e imaginar existências alternativas em mundos paralelos. O seu trabalho foi reconhecido com vários prémios incluindo o prémio internacional da crítica FIPRESCI no 68º Festival de Veneza, pela sua primeira longa-metragem Two Years at Sea; o prémio inaugural Robert Gardner, em 2012; o prémio de arte Baloise, na Art Basel 42, em 2011; sendo por duas vezes nomeado para o Jarman Award, em 2010 e 2012; e o prémio da Fundação Paul Hamlyn para artistas, em 2010. As suas exposições mais recentes incluem: Slow Action, Hepworth Wakefield, 2012; Sack Barrow, Hayward Gallery, London, 2011; Slow Action, Matt’s Gallery, London and Gallery TPW, Toronto, 2011; A World Rattled of Habit, A Foundation, Liverpool, 2009. Retrospectivas do seu trabalho foram incluídas nos programas de festivais como Courtisane, Pesaro International Film Festival, London Film Festival, Tirana Film Festival, Punto de Vista, IndieLisboa e Milan Film Festival. Em 1996 co-fundou a Cinemateca de Brighton, onde foi também co-programador, até ao seu encerramento em 2006. Continua a programar erraticamente.
Ao longo de cerca de 45 anos, o cineasta belga Boris Lehman realizou e produziu mais de 75 filmes, entre curtas e longas-metragens, documentário e ficção, ensaios e autobiografias, trabalhando essencialmente em 8mm, super8 e 16mm. A obra de Lehman invade espaços pessoais – a sala de estar, o estúdio do artista, o álbum de fotografias. Contrastando com essa intimidade está uma nota quase etnográfica, trazida pela forma como o pessoal se torna o universal.
CAMP é um estúdio colaborativo fundado em Bombaim, em 2007, que produz cinema e vídeo, media electrónica e arte pública, numa prática que privilegia uma relação não-alienada, sem medo de sujar as mãos, com a tecnologia. Uma parte central do seu ethos resulta de uma crítica situada ao documentário e às formas de enunciação, expandindo-se em métodos que envolvem arquivos, vigilância, consciência do sujeito e colectividade.
Carlos Vásquez Méndez (Santiago do Chile, 1975) é cineasta, artista e investigador, vive e trabalha em Barcelona. É doutorado pela Universidade de Barcelona. Interessa-se pela relação entre arte e documento, pelos discursos sobre a representação do real e pelo papel do artista como historiador crítico. Os seus filmes, na sua maioria filmados em película, foram exibidos em festivais e instituições como Centro Pompidou/BPI, Jeonju, FIDMarseille, Mar del Plata, First Look – Museum of Moving Image, Cineteca Mexicana, OpenCity. Recebeu o prémio Joris Ivens/Centre National des Arts Plastiques no Cinéma du Réel 2016 e o Mayor’s Prize em Yamagata, 2019. Os seus filmes integram o catálogo da Light Cone.
Realizadora e antropóloga portuguesa. Nascida no Porto, estudou Antropologia Social, fez o Mestrado em Antropologia Visual no Granada Centre for Visual Anthropology da Universidade de Manchester e o Doutoramento na Universidade Nova de Lisboa com a tese Camponeses do Cinema. Entre 1994 e 2000 trabalhou no Museu Nacional de Etnologia. É Professora Auxiliar da Universidade Nova de Lisboa e Coordenadora do Mestrado em Antropologia – Culturas Visuais. Ensina também nos mestrados e doutoramentos da Universidade de São Paulo e na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Barcelona. Em 2000 fundou, com Catarina Mourão, a produtora Laranja Azul. No cinema destaca-se o seu trabalho e publicações em documentário e etnografia.
Catarina Mourão nasce em Lisboa em 1969. Estudou Música, Direito e Cinema (Mestrado na Universidade de Bristol e Doutoramento pela Universidade de Edimburgo, bolseira da FCT em ambos). Fundadora da AporDoc (Associação pelo Documentário Português). Dá aulas de Cinema e Documentário desde 1998 em diferentes Licenciaturas e Mestrados. Atualmente é docente no mestrado de Artes e Multimedia na FBAUL. Em 2000 cria com Catarina Alves Costa a Laranja Azul, produtora independente de cinema. Realizou vários filmes premiados. As suas áreas principais de investigação são o documentário, a memória, o sonho, o arquivo e a autobiografia.
A música e a partilha oral são os pontos de partida para o trabalho de Marie-Clémance Paes e Cesar Paes, cujos filmes exploram temas sócio-políticos através de formas que elevam a presença e o discurso com o objetivo de sensibilizar para a realidade em questão.
Claire Atherton (1963, São Francisco) é montadora, vive e trabalha em França. Formada em estudos chineses, a sua primeira experiência profissional foi como técnica de vídeo no Centre Audiovisuel Simone de Beauvoir em Paris, em 1982. Licenciou-se na École Nationale Supérieure Louis-Lumière, em Paris, em 1986, e acabou por se especializar na montagem cinematográfica. Colaborou com Chantal Akerman durante 31 anos, tendo editado os seus documentários, ficções e instalações. Atherton trabalha com cineastas e artistas como Eric Baudelaire ou Wang Bing, entre muitos outros. É professora em escolas de cinema e de arte como La Fémis em Paris e a HEAD em Genebra. Em 2013, a Cinemateca de Grenoble organizou uma retrospetiva dedicada ao seu trabalho. Em 2019, recebeu o Vision Award Ticinomoda do Festival Internacional de Cinema de Locarno, um prémio que “destaca e presta homenagem a alguém cujo trabalho criativo nos bastidores, bem como por direito próprio, contribuiu para abrir novas perspectivas no cinema”.
Danielle Arbid, natural do Líbano, deixa o país durante a guerra civil, em 1987, partindo para Paris para estudar literatura e, mais tarde, jornalismo. Trabalha vários anos como jornalista, com foco sobre o território Árabe. A partir de 1997, dedica-se ao cinema com a realização das curtas-metragens de ficção Raddem e Le Passeur.
Deborah Stratman (nascida em 1967) é uma artista e cineasta residente em Chicago que explora paisagens e sistemas numa obra que abrange vários formatos, incluindo filmes, escultura pública, fotografia, desenho e áudio. Stratman voltou-se para a arte e para o cinema após uma primeira tentativa nas ciências e, até hoje, o seu trabalho cinematográfico é marcado pelo interesse pela astrofísica, zoologia, física e acústica. Grande parte da sua obra evidencia as relações entre ambientes físicos e lutas humanas por poder e controlo.
Edgar Pêra é um cineasta português. Pêra também é artista plástico e quadrinista, escreve ensaios de ficção e cinema. Edgar Pêra estudou Psicologia, mas mudou-se para Cinema no Conservatório Nacional Português, hoje Escola de Teatro e Cinema de Lisboa. Edgar Pêra é actualmente um dos mais prolíficos realizadores portugueses com centenas de trabalhos audiovisuais em nome próprio e um dos autores que continua a quebrar barreiras com o seu cinema experimental.
Edgardo Cozarinsky nasceu em 1939 em Buenos Aires, Argentina. É realizador e escritor, conhecido por Night Watch (2005), Apuntes para una biografía imaginaria (2010) e Dans le rouge du couchant (2003). Faleceu em 2024.
Nasceu em São Paulo em 1945. Nome histórico do cinema brasileiro, atua como realizador, montador, produtor, argumentista, professor e crítico de cinema. Realizou, entre outros, Lição de Amor (1975), Ato de Violência (1980), Chico Antônio – O Herói com Caráter (1983) e Imagens do Estado Novo 1937-45 (2016). Como montador, trabalhou em filmes como Terra em Transe (1966), de Glauber Rocha, Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, São Bernardo (1972), de Leon Hirszman, Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, e Santiago (2007), de João Moreira Salles. Publicou Adivinhadores de Água – Pensando no Cinema Brasileiro e colabora com a revista piauí, escrevendo uma coluna semanal no site da publicação.
Elena Duque (1980, Avilés) é uma cineasta, programadora, escritora e professora hispano-venezuelana. Como cineasta, o seu trabalho gira em torno da animação e da colagem, incorporando formatos analógicos e formas de fazer filmes que revisitam temas como a identidade e o sentido de pertença através de exercícios plásticos em torno de lugares, objetos e texturas. Até à data, realizou diversas curtas-metragens experimentais e de animação que foram exibidas em festivais, e também em instituições como Kino Arsenal (Berlim) e CCCB (Barcelona). O seu trabalho faz parte do catálogo do Collectif Jeune Cinéma, Hamaca, e do Arquivo Xcèntric do CCCB de Barcelona. Ela também desenvolve trabalhos comissionados, como trailers de festivais e vídeoclipes. Em fevereiro de 2020, o seu trabalho foi apresentado na sessão monográfica “Elena Duque. Quem sou e por que faço filmes” no Echo Park Film Center em Los Angeles, EUA. Atualmente programa e dirige o departamento editorial da (S8) Mostra de Cinema Periférico da Corunha, é programadora associada do Festival de Cinema Europeu de Sevilha e leciona na Universidade Camilo José Cela de Madrid.
Ernst Karel trabalha com som, incluindo música eletroacústica, obras sonoras experimentais de não-ficção para instalação e performance multicanal, colaboração imagem-som e pós-produção sonora para filmes e vídeos de não-ficção, com ênfase em cinema observacional. Ele trabalhou ao lado de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel no Laboratório de Etnografia Sensorial de Harvard e colaborou com artistas e cineastas como Anocha Suwichakornpong, J.P. Sniadecki, Luke Fowler, Ben Rivers e Helen Mirra. Como improvisador tocou e gravou com Fred Lonberg-Holm, Tim Daisy, Liz Payne e Aram Shelton entre outros, e com Kyle Bruckmann forma o grupo EKG. Ultimamente, trabalha em torno da prática de gravação de atualidade/lugar (ou ‘gravação de campos [plural]’) e da composição a partir dessas gravações, com projetos recentes também adotando gravações de arquivo de lugares. Ele ensinou gravação e composição de áudio no Laboratório de Etnografia Sensorial, no Centro de Etnografia Experimental da Penn e no Departamento de Cinema e Mídia da UC Berkeley. Atualmente é afiliado no Center for Ethnographic Media Arts da University of Southern California.
Depois de frequentar a London School of Film Technique, como bolseiro do Fundo do Cinema Nacional, Fernando Matos Silva é professor no Curso de Cinema do Exército, e realizador militar entre 1969 e 1970. A sua longa-metragem ‘O Mal Amado’ é o último filme português a ser censurado pelo Estado Novo e o primeiro a estrear após o fim da ditadura. Esta carga simbólica, que parece ser adivinhada pelo próprio filme, acompanha subtilmente os restantes. A par da realização, participa como argumentista, produtor e montador em várias produções nacionais, colaborando com realizadores como Fernando Lopes e Paulo Rocha.
Nasceu em Boston, em 1930. Realizou o seu primeiro filme, Titicut Follies, sobre uma instituição psiquiátrica para reclusos, em 1967, no auge do cinema directo. Em 30 anos de carreira cinematográfica, realizou cerca de um filme por ano, explorando instituições americanas.
Nasceu no Porto em 1981. Estudou Som e Imagem na Universidade Católica do Porto. Em 2006 frequentou o curso de documentário dos Ateliers Varan na Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito do qual realizou o filme Entre-Tempos.
Ex-membro do coletivo Ogawa Productions, o realizador e escritor japonês Fukuda Katsuhiko (1943-1998) viveu e trabalhou na zona rural de Sanrizuka, onde documentou a luta contra a construção do aeroporto de Narita, juntamente com histórias individuais e relatos da vida comunitária.
Depois de se formar na Faculdade de Letras, Artes e Ciências da Universidade de Waseda, Fukuda juntou-se ao coletivo Ogawa Productions durante as filmagens de The Japanese Liberation Front: Summer in Sanrizuka (1968). Fukuda participou na série de sete filmes que o coletivo realizou entre 1968 e 1978, dedicados à luta de resistência dos camponeses e seus aliados contra a construção do Aeroporto Internacional de Narita, na zona rural de Sanrizuka. O seu primeiro filme como realizador foi um retrato notável do coletivo em ação, intitulado Filmmaking and the Way to the Village (1973). Fukuda deixou o grupo no mesmo ano e permaneceu em Sanrizuka, onde continuou a trabalhar numa série de «cadernos de filme» em 8 mm, narrando a luta contínua contra o aeroporto e a vida na aldeia.
Gert de Graaff nasceu a 9 de outubro de 1957 em Amesterdão, Holanda. É editor e diretor de fotografia, conhecido por De zee die denkt (2000), Twee (1986) e Poet in Power (1985).
Piadena, 1937. Nascido numa família de camponeses, interessa-se muito cedo pela industrialização do mundo rural e pelos últimos traços da cultura camponesa. Tem um percurso de fotógrafo com várias exposições e publicações que retratam a sua terra natal. Em paralelo, realizou cerca de quinze documentários sobre o mesmo tema. Tem em preparação um novo filme intitulado La Bassa Padana.
Graça Castanheira nasce na Angola colonial, em 1962. Após o 25 de Abril, a família regressa a Portugal onde, em 1989, Graça termina a sua formação, na Escola Superior de Teatro e Cinema. Os seus filmes vão ao encontro de histórias além fronteiras com interrogações próprias e actuais.
Activo em Portugal entre 1976 e 1982, o Grupo Zero surgiu a partir da Reforma Agrária revolucionária no Alentejo. Concebidos como uma cooperativa, os seus filmes reflectem as transformações sociais, as campanhas de alfabetização e a mudança política, enquanto desafiam as formas convencionais do documentário.
O cineasta alemão de não-ficção Hartmut Bitomsky tem trabalhado como escritor, realizador, produtor e professor desde meados da década de 1960. Antigo co-editor da influente revista alemã de cinema Filmkritik e diretor da Escola de Cinema/Vídeo do Instituto de Artes da Califórnia, Bitomsky é mais conhecido pelos seus documentários incisivos que investigam aspectos da história alemã e da cultura dos media.
Helena Estrela (1993, Porto), é uma artista independente que vive e trabalha entre Portugal e Espanha. Atualmente, frequenta o curso de Estudos Cinematográficos na Elías Querejeta Zine Eskola, San Sebastian (País Basco). A sua prática explora as possibilidades da imagem em movimento em várias abordagens que liga o pessoal, natural e histórico.
Nasceu em 1980, em Lisboa. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, FCSH, completou o curso nas áreas de Cinema e Cultura.
Começou a trabalhar em programação cinematográfica em 2004, na Filmoteca de Catalunya, Barcelona, e desde 2005 é programadora na Videoteca Municipal de Lisboa, tendo sido responsável por projectos como a 6ª Mostra de Curtas, 1ª e 2ª edição do PANORAMA (Mostra do Documentário Português), Ler Cinema, Encontros no Écran, Ver fazer.
“Retrato de Inverno de Uma Paisagem Ardida” é o seu primeiro filme.
Cineasta nascido em Lisboa em 1975. Inicia a sua formação técnica e artística em Lisboa e, antes de ir para a China, frequentou a London Film School e a Universidade de Budapeste. Além de curtas e documentários, as suas primeiras 2 longas metragens de ficção foram apresentadas em festivais internacionais.
Jean Breschand realizou várias curtas-metragens e documentários antes de escrever a sua primeira longa-metragem de ficção, La Papesse Jeanne, lançada em 2017.
Cineasta francês nascido em Paris, 1950. Influenciado por Jan Vermeer, Yasujiro Ozu e Robert Bresson. Apoiado inicialmente por Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, seus primeiros filmes foram feitos em Super 8. Ao contrário do que era habitual com esta técnica, os planos de Rousseau são longos e fixos. Ele manteve esta forma na filmografia, mesmo tendo aderido posteriormente ao vídeo digital. As suas curtas-metragens, predominantemente, lidam com nada menos do que o cinema em si: espaço, tempo e movimento.
Jeannette Muñoz (1967, Santiago do Chile) estudou Artes Visuais na Universidade do Chile, Facultad de Artes. Vive e trabalha na Suíça e em Santiago do Chile desde 1998. O seu trabalho centra-se na migração através de contextos heterogéneos, um movimento refletido/reflexivo que pondera no que a ancestralidade e proveniência podem impactar no discurso e expressão artísticas. Ela está interessada nas potencialidades da imagem – imagens como estratos do natural – e na política do visível: a visibilidade do político, uma economia longe de ser funcionalizada, mas ainda assim, que imagens, que montagem promovemos?
Jessica Sarah Rinland (1987, Surrey), artista cineasta argentino-britânica, é licenciada (com distinção) em Belas Artes pela Central Saint Martins, University of the Arts London e mestrado em Artes, Cultura e Tecnologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). ). O seu trabalho foi exibido internacionalmente em festivais de cinema e instituições de arte. Ganhou prémios incluindo Menção Especial no Festival de Cinema de Locarno e Melhor Filme na Documenta Madrid (Those That, at a Distance, Resemble Another, 2019), Primeiro Prémio na BIM – Bienale de Imagen en Movimiento (Black Pond, 2018), Arts+ Prémio Ciência no Ann Arbor Film Festival (2014), Melhor Filme Experimental do ICA no LSFF (2013) e Prémio Schnitzer do MIT por excelência nas artes (2017). Frequentou residências como Film Studies Center da Universidade de Harvard, Somerset House Studios, Flaherty Seminar Fellow. Atualmente trabalha como professora na Elías Querejeta Zine Eskola, anteriormente na Kingston University, e como projecionista no Barbican Center.
Nasceu na Figueira da Foz em 1958. É licenciado em Sociologia e doutorado em Ciências da Comunicação. É Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tem publicado artigos de crítica, história e teoria do cinema e da imagem. Foi autor da crónica Imagens na revista Visão. A sua primeira longa-metragem, A Estrangeira (1983), recebeu o Prémio Georges Sadoul no Festival de Veneza.
João Nisa nasceu em 1971, em Lisboa. Concluiu o curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema e a Licenciatura e o Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa. Dedicou-se à investigação das relações entre o cinema e a arte contemporânea, tendo escrito ensaios para diversas publicações nacionais e internacionais. Durante vários anos leccionou disciplinas relacionadas com a história do cinema e com o vídeo e o cinema experimental na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha). Em 2006 criou a João Nisa Produções para o desenvolvimento dos seus projectos. Realizou o filme Nocturno (2007), exibido em vários festivais e programas, como o Cinéma du réel (secção “Exploring Documentary”) ou o DocLisboa (“Riscos e Ensaios”). Encontra-se a realizar um filme a partir do romance L’Image, de Jean de Berg (Catherine Robbe-Grillet).
Nasceu em Moçambique, 1962, na província de Mocuba (Zambézia). Foi professor de Educação Física na cidade de Quelimane, onde cresceu e viveu até 1987. É Director de Fotografia e Realizador. Em 1979 foi convidado para trabalhar no INC – Instituto Nacional de Cinema, em Maputo. Abandonou a carreira de professor para se dedicar ao cinema. No INC trabalhou na distribuição, exibição, arquivo fílmico e na produção, sendo Coordenador de Produção em 1990, data em que abandonou o INC para estudar cinema em Cuba, especializando-se em realização de cinema e de televisão. Estudou ainda produção na Escola Internacional de Cinema e Televisão – EICTC.
João Vieira Torres, artista franco-brasileiro, vive e trabalha em Paris desde 2002. Vieira Torres utiliza diversas formas de expressão artística: a fotografia, o cinema, a videoarte e a performance. Um dos principais eixos do seu trabalho é a questão do “ser-se estrangeiro” e as formas de instabilidade e rupturas de perspectiva que nelas se originam, a dificuldade de estabelecer raízes ou âncoras, sejam elas em relação ao território, à identidade, ou ao próprio corpo.
Joaquim Pinto nasceu em 1957. Após concluir a Escola Superior de Teatro e Cinema na área de som, é responsável pelo som de inúmeras longas metragens com realizadores como Manoel de Oliveira, Raul Ruiz e Werner Schroeter. Em 1986, realiza e produz a sua primeira longa metragem, Uma Pedra no Bolso, dando início a um ciclo de produção que começa com Recordações da Casa Amarela e termina com A Comédia de Deus, ambos de João César Monteiro. É casado com Nuno Leonel. Juntos realizaram diversos documentários e filmes de animação, e coordenam uma editora de livros e música.
Nasceu em 1964. Estudou Direito. Fez o curso de cinema da Escola de Cinema do Conservatório Nacional onde foi aluno de António Reis. A sua primeira longa-metragem CORTE DE CABELO estreou no festival de Locarno em 1995. Todos os seus filmes estiveram presentes nos principais festivais de cinema internacionais, tendo recebido vários prémios. É também professor de Realização do curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema. Sapinho é fundador e proprietário da produtora independente Rosa Filmes.
José Filipe Costa (1970) é doutorado pelo Royal College of Art, Londres. Escreveu e realizou várias curtas-metragens: “A Rua” (2008), “Chapa 23” (2006), “Domingo” (2005) e “Undo” (2004), e os documentários “Linha Vermelha” (2011), “Entre Muros” (2002) e “Senhorinha” (2001), presentes em festivais internacionais de cinema. Foi argumentista e realizador da série de divulgação científica “Histórias da Vida na Terra” (2008). Foi professor visitante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2013) e tem lecionado no IADE, ETIC, Instituto Politécnico de Tomar e no curso DocNomads, Documentary Film Directing Erasmus Mundus.
Hajime KAWAGUCHI nasceu em Tóquio em 1967. Começou a fazer filmes em 1987. Lecciona na Universidade de Yamagata desde 1993 e já realizou mais de 30 filmes.
Keja Ho Kramer (1974, São Francisco) estudou artes plásticas, e é autora de várias obras de vídeo e exposições.
Importante documentarista alemão nascido a 1930. Wildenhahn foi uma das maiores figuras no continente europeu do cinema directo, o qual abraçou sobre a influência de Richard Leacock. Trabalhou na televisão pública NDR e dedicou parte da sua obra documental à criação musical e coreográfica, com obras focando John Cage, Jimmie Smith ou Merce Cunningham e Pina Bausch. Foi ainda um teórico do cinema documental. Faleceu em 2018.
Lee Anne Schmitt é uma artista e cineasta sediada em Los Angeles, interessada no pensamento político, na experiência pessoal e na terra. Grande parte do seu trabalho envolve a realização de filmes em 16mm passados em paisagens, objectos e os vestígios de sistemas políticos deixados sobre eles, considerando os elementos do quotidiano da vida americana.
Nasceu em Lisboa (1961). Estudou cinema na New York Film Academy. Realizou vários documentários desde 1991.
Luciana Fina é uma cineasta e artista plástica de origem italiana, que vive e trabalha em Lisboa desde 1991. Tem desenvolvido uma longa carreira no campo do cinema e das artes, com trabalhos direcionados para salas de cinema e espaços de exposição. A sua extensa obra, abrangendo filmes, instalações cinematográficas e projetos site-specific, tem sido apresentada internacionalmente em festivais de cinema internacionais como Torino Film Festival, Doclisboa, FIFA Montreal, ADFF New York, MIDBO Bogotá, ARKIPEL Jakarta, e em museus como o MNAC – Museu do Chiado, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural de Belém, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Biennale di Venezia (Il Padiglione Italia nel mondo), La Villette, Centre Pompidou e Matadero.
Luís Miguel Correia nasceu em Santa Iria da Azóia em 1977. Licenciado em Ciências da Comunicação, na área de especialização de Cinema, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Frequentou o Curso de Realização de Cinema e o Curso de Argumento para Cinema, ambos promovidos pela Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com a London Film School. Tem trabalhado como operador de Câmara, montador e assistente de realização em diversos documentários e curtas-metragens. Realização uma série de documentários sobre artistas portugueses (Fernando Calhau, Carlos Nogueira e Pedro Calapez) e as curtas-metragens O Dedo da Estação.
Manuel Mozos, nasceu em Lisboa em 1959. Terminou o curso de Cinema em 1984, no Antigo Conservatório Nacional (actual Escola Superior de Teatro e Cinema). Trabalhou como montador, argumentista e assistente de realização com inúmeros realizadores portugueses. Colabora assiduamente com publicações, escolas, institutos, universidades, associações culturais e de cinema, cineclubes e festivais. Desde então, realizou mais de vinte filmes, entre ficção e documentário, curtas e longas-metragens.
Manuela Serra (1948, Lisboa) começou a estudar cinema no Institut des Arts et Diffusion, em Bruxelas (Bélgica), sobretudo movida pela curiosidade. De volta a Portugal, foi uma das fundadoras e membros da cooperativa cinematográfica Cooperativa Virver (1975/1976), logo após o fim da ditadura, até 1981. Foi assistente de montagem no filme Deus, Pátria, Autoridade (Rui Simões , 1976) e trabalhou como produtora, assistente de realização e montadora em diversos filmes produzidos pela VirVer. Entre 1979 e 1985 escreveu, produziu e realizou o seu primeiro e único filme, O Movimento das Coisas, rodado em Lanheses, na região norte de Portugal Minho. Em 2021, uma versão restaurada do filme foi distribuída pela primeira vez nos cinemas em Portugal. Em 1990, começou a escrever o argumento de uma segunda longa-metragem, Ondas, que ficaria inacabada por falta de apoio financeiro. Decepcionada, decidiu abandonar o cinema.
Maria Rojas Arias, artista visual e cineasta nascida na Colômbia em 1994, formou-se na KASK, School of Arts Gent, Bélgica. É co-diretora do La Vulcanizadora, Laboratório de Projetos em Artes Visuais, Cinema e Teatro Expandido. O seu trabalho trata de materiais de arquivo oficiais e não oficiais, articulados de forma ampliada, a fim de explorar formas de retratar realidades relacionadas com acontecimentos específicos do passado. Podem ser discursos nacionais, políticas de guerra, fundação e colonização de espaços e territórios, entre outros. As suas curtas incluem Abrir Monte (2021), Fu (2018) e La Casa Loca (2016). Em 2019, ela recebeu uma bolsa Next Generation do Fundo Prince Claus for Culture and Development.
Mariana Caló e Francisco Queimadela são artistas pluridisciplinares que trabalham como dupla desde 2010, desenvolvendo a sua prática através do uso privilegiado da imagem em movimento, tanto na realização de filmes como em conjugação com o desenho, a pintura, a fotografia ou a escultura em contextos expositivos. O interesse pelo diálogo entre o biológico, o cultural e o vernacular é recorrente no seu trabalho.
Maryam Tafakory (1987, Shiraz, Irão) é autora de curtos filmes-ensaio, compostos por colagens textuais e fílmicas que juntam poesia, documentário, performance e arquivos. A sua investigação artística foca-se em temas frequentemente negligenciados e tem vindo a estabelecer um diálogo com o cinema iraniano pós-revolução. A sua obra foi exibida em festivais e instituições como MoMA, a Quinzena dos Realizadores de Cannes, NYFF, Locarno, TIFF, FICUNAM, ICA, Anthology Film Archives, entre outros. Foi galardoada com o prémio Hugo de Ouro no 58º Chicago Int’l Film Festival, o Tiger Short Award no 51º IFFR, o Barbara Hammer Feminist Film Award no 60º Ann Arbor Film Festival e a Melhor Curta Experimental no 70º e 71º MIFF.
Matilde Meireles é uma artista sonora e pesquisadora que utiliza gravações de campo para compor projetos orientados para um local (site-oriented). O seu trabalho tem uma abordagem crítica multissensorial, duracional e multiperspectiva do local, onde Matilde investiga o potencial da escuta através de espectros e escalas como formas de sintonizar vários ecossistemas e articular experiências plurais do mundo. Alguns exemplos incluem as arquiteturas internas das canas e as complexas ecologias da água, ressonâncias em objetos do quotidiano, bairros locais e a arquitetura dos sinais de rádio. O seu próximo álbum pelo selo Crónica, intitulado Loop. And Again. (2024), investiga a dinâmica dos campos magnéticos, os intrincados arranjos de cabos elétricos e a sua interconexão com as mudanças na paisagem circundante. O seu trabalho também é regularmente apresentado sob a forma de performances, instalações, projetos comunitários e publicações. Ela possui um PhD em Sonic Arts pelo SARC: Centre for Interdisciplinary Research in Sound and Music, Queen’s University Belfast.
Espanha, 1966. Completou o Master em Documentário na Universidade Pompeu Fabra (Barcelona). Realizou a curta El Viento Africano em 2001 e fez a montagem de En Construcción, realizado por José Luis Guerín.
Miguel Gomes nasce em Lisboa, em 1972. Estuda na Escola Superior de Teatro e Cinema e trabalha como crítico de cinema entre 1996 e 2000. Realiza várias curtas e estreia-se na realização de longa-metragem com A CARA QUE MERECES (2004). AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO (2008) e TABU (2012) vêm confirmar o seu sucesso e projecção internacional. Em 2024 ganha o prémio de melhor realizador no Festival de Cannes com o filme GRAND TOUR.
Miriam Martín trabalhou como programadora em várias instituições: no Museo Reina Sofia, MUSAC, CA2M e o festival Punto de Vista. Durante cerca de seis anos, organizou o cineclube Chantal, uma experiência estética e política semanal. Em 2019, realizou LA ESPADA ME LA HA REGALADO. Em 2023, VUELTA A RIAÑO. Também canta, traduz e escreve, e foi curadora de uma exposição sobre o 15M e a Comuna de Paris, “Con h minúscula”.
Mónica Batista, (nascida em 1984), é uma artista e cineasta experimental baseada no Porto, Portugal. Estudou Belas-Artes-Pintura e tem-se dedicado ao cinema experimental e ao documentário, usando principalmente formatos analógicos como Super8, 16mm e 35mm, recorrendo ao vídeo e à fotografia como matéria.
Mujeres Creando é um movimento anarco-feminista autónomo, fundado em 1992 em La Paz, Bolívia. Realiza acções criativas na rua — sendo o graffiti, presente em várias cidades da Bolívia, uma das suas formas principais. As integrantes do colectivo são mulheres de diferentes origens que partilham uma perspectiva comum: a criatividade como instrumento de luta e de participação social.
Myriam Lefkowitz (nascida em 1980, Paris, França, onde mora presentemente) concluiu o mestrado em História na Universidade Paris-Sorbonne e estudou dança em Nova York, principalmente com a coreógrafa/bailarina Lisa Nelson. Desde 2010, a sua pesquisa tem-se focado em questões de atenção e percepção, investigações que ela desenvolve por meio de diferentes dispositivos de imersão, que envolvem encontros directos entre espectador e performer. Em 2011, participou do mestrado de experimentação em Arte e Política, SPEAP, Science Po Paris, fundado por Bruno Latour. Em 2013, tornou-se parte do comité de ensino da SPEAP. É regularmente convidada para workshops e palestras pela Escola Nacional de Arquitetura de Versalhes; Three Uses of the Knife, Vilnius; Open School East, Londres; la HEAD, Génova; Royal Institute of Art, Estocolmo; L’ERG, Bruxelas; e o departamento de Dança da Universidade de Paris 8, St. Denis.
Naomi Uman (1962, Nova York) é uma cineasta e artista visual nascida nos Estados Unidos que vive e trabalha na Cidade do México. Naomi obteve o seu mestrado em 1998 pelo California Institute of the Arts e o seu diploma de graduação em 1993 pela Columbia University, na cidade de Nova York. Depois de ter estudado culinária e ter trabalhado em cozinha por muitos anos, Naomi Uman produziu um excelente corpo cinematográfico em 16mm. Os seus filmes pequenos e íntimos (muitas vezes analógicos) focam-se no trabalho das mulheres e as inter-relações humanas e do mundo natural. Essas obras poéticas moldam histórias extraídas da realidade e convidam o espectador a considerar a beleza dos atos repetitivos da vida quotidiana. Ela ganhou vários prémios, incluindo o apoio do National Endowment for the Arts, 2003; uma bolsa Guggenheim, 2002; Fideicomiso Para La Cultura y Las Artes, também conhecido como México/EUA. Fundo para a Cultura, 2000; e o Prémio Golden Gate, categoria Novas Visões, Festival Internacional de Cinema de São Francisco, 1999. Naomi Uman viveu aproximadamente dez anos na Ucrânia, um século depois dos seus bisavós terem emigrado da Ucrânia rural para os Estados Unidos em 1906.
Nascido em 1951 e tendo trabalhado como assistente de realização ao lado de realizadores como Alain Tanner ou Claude Goretta, estreou-se atrás das câmaras em 1978 com LA VOIX DE SON MAÎTRE, co-realizado com Gérard Mordillat, este documentário em que entrevistou os patrões dos principais grupos industriais franceses. Depois de assinar um conjunto de obras em torno do montanhismo para televisão, dedicou o resto do seu trabalho ao cinema sendo autor de uma obra caracterizada pela mais nobre tradição observacional do cinema direto e pela sua reinvenção por um olhar fortemente personalizado e inventivo. Ao longo das últimas décadas retratou como poucos as mais variadas instituições, desde o museu do Louvre a um hospital psiquiátrico, passando por um jardim zoológico ou uma escola de província, cenário de um dos seus filmes mais populares e acarinhados: ÊTRE ET AVOIR.
Noémia Delgado (1933-2016) é sobretudo reconhecida pela longa-metragem MÁSCARAS (1976), única obra realizada para o cinema, apesar de ter realizado uma quinzena de filmes para televisão. Com formação em artes plásticas, começou a trabalhar no cinema desde 1963, tendo um papel ativo no Cinema Novo. Foi assistente de montagem de filmes como VERDES ANOS (1963) e MUDAR DE VIDA (1966) de Paulo Rocha, ou O PASSADO E O PRESENTE (1971) de Manoel de Oliveira. Graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, estagiou com Jean Rouch em Paris. Em Paris descobriu o cinema contemporâneo africano e francês, assim como o cinema etnográfico europeu, experiências que viriam a ser determinantes. Entre 1974 e 1976, realiza o filme MÁSCARAS sobre os caretos tradicionais e os rituais arcaicos da região de Trás-os-Montes, aliando documentário, observação etnográfica e recriação ficcional. Participou na fundação do Centro Português de Cinema e foi assistente de Thomas Harlan no filme TORRE BELA (1977). Para a televisão, realizou séries e filmes, nomeadamente sobre escritores portugueses, sobre arte, arquitectura e património. Escreveu várias longas-metragens que nunca chegou a realizar por falta de financiamento.
Criada no final da década de 1960, no Japão, por Ogawa Shinsuke, Ogawa Pro constitui uma referência fundamental na prática documental colectiva do pós-guerra. A sua obra abrange protestos estudantis, a participação na luta popular contra a construção do Aeroporto de Narita e, mais tarde, a vida na aldeia de Magino, incorporando formas radicais de colaboração e de cinema enquanto experiência social.
Nasceu em Yokohama em 1977. Depois de se formar na Universidade de Rissho, onde estudou psicologia, estudou cinema no Image Forum Institute of the Moving Image. Danchizake (Homemade Sake) é o seu trabalho de fim de curso e recebeu um prémio na projeção dos trabalhos de fim de curso de 2001.
Nasceu em Barcelona em 1970. Trabalhou em vários filmes como diretor de fotografia. Realizou, entre outros, a curta-metragem Alicia Retratada (2002) e as longas-metragens Fuente Álamo, la Caricia del Tiempo (2001), Bolboreta, Papallona, Mariposa (2007) e Tchindas (2015).
Poeta, fotógrafa, artista visual, professora e cineasta. Estudou Artes Visuais e Filosofia em Bogotá, Colômbia. Radicada no Brasil desde 1977, realizou as primeiras instalações com imagens em movimento e fotografia. Foi convidada para trabalhar na direcção artística de “A Idade da Terra” (1980), de Glauber Rocha, experiência determinante na sua formação estética e na percepção e aprendizagem da linguagem cinematográfica, tendo assim iniciado a sua carreira como realizadora, fortalecendo um diálogo com as artes visuais, a fotografia e a performance, obras que podem ser exibidas em salas de cinema, espaços públicos ou galerias de arte. A sua obra reúne uma enorme variedade de estilos e formatos, de adaptações literárias a videoclipes. Entre curtas e longas metragens, destacam-se Uaká (1987), premiado no 21o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Prémio Especial do Júri, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Som), Sutis Interferências (2016), exibido no FID Marseille, sobre a relação entre imagem e som a partir do trabalho do músico Arto Lindsay e mais recentemente É Rocha e Rio, Negro Leo (2002), filme manifesto com o músico, compositor e sociólogo Leonardo Campelo Gonçalves, com estreia mundial na 70ª Berlinale.
Naquela que poderia ser considerada a sua primeira incursão pelo documentário, Pedro Costa desmonta qualquer possibilidade de categorização. Após três longas-metragens realizadas entre 1989 e 1997, No Quarto da Vanda interrompe definitivamente a sistematização do processo de produção e põe em causa todas as noções que esse sistema informa sobre a relação do filme com o real.
Pedro Pinho nasceu em Maio de 1977. Estudou cinema na ESTC em Lisboa e na ENSLL, em Paris, entre 1999 e 2003. Frequentou os cursos de realização de cinema e de argumento da London Film School e da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2005 e 2006. Realizou duas curtas-metragens em contexto académico, “Perto” (2004) e “No Início” (2005). Em 2008, concluiu “Bab Sebta” – um documentário co-realizado com Frederico Lobo sobre os tempos de espera dos migrantes nas cidades de fronteira ao Sul da Europa – que foi premiado no FID Marseille 2008, no Doc Lisboa 2008 e no Forumdoc BH 2009. Em 2009, funda a produtora Terratreme com Leonor Noivo, Luisa Homem, Tiago Hespanha, João Matos e Susana Nobre, onde tem colaborado como produtor, argumentista e director de fotografia, em filmes como “Linha Vermelha” de José Filipe Costa, “Lacrau” de João Vladimiro e “A Fábrica De Nada” de Jorge Silva Melo. Desde 2010, trabalha no filme “As Cidades e as Trocas”, co-realizado com Luisa Homem, sobre os fluxos económicos e as transformações de paisagem motivados pela indústria do turismo. Em 2013, a sua primeira média-metragem de ficção, “Um Fim do Mundo”, estreou no Festival de Berlim, e desde então tem sido mostrada em vários festivais internacionais, estando prevista a sua estreia em sala em Outubro 2013.
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Renata Sancho nasceu em 1973 e vive em Lisboa. É realizadora mas também trabalha profissionalmente como montadora e anotadora. Desde 2013 que gere a produtora Cedro Plátano. Licenciou-se em Ciências da Comunicação, especialização em Cinema e Televisão na FCSH/UNL. Entre 2007 e 2015 foi professora-assistente no curso de mestrado de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Lecionou montagem no Instituto Politécnico de Leiria no curso de Som e Imagem, em 2010.
Rithy Pahn é um realizador cambodjano cujo trabalho foca sobre as consequências do regime autocrático e totalitário do Khmer Rouge, sob o qual o povo do Camboja testemunhou o genocídio, a fome, a miséria e a exaustão, entre 1975 e 1979. Pahn fugiu para a Tailândia em 1979, escapando ao trágico fim que caiu sobre a sua família. Mais tarde fugiu para Paris, onde descobriu o cinema.
Robert Fenz (1969, Ann Arbor, Michigan) é um dos cineastas mais singulares e empenhados em dar uma nova vida às tradições cinematográficas de vanguarda da atualidade. Os filmes de Fenz, maioritariamente filmados em 16mm a preto e branco, têm uma energia rara e uma beleza inquieta que recorda tanto as imagens inspiradas no jazz de fotógrafos da Escola de Nova Iorque, como Roy DeCarava, como os filmes de paisagem de um dos antigos professores de Fenz, Peter Hutton, e o trabalho documental de Johan van der Keuken e Chantal Akerman, alguns dos quais foram filmados pelo próprio Fenz. Os seus filmes são retratos pessoais e poéticos de pessoas e lugares que encontrou durante as suas muitas viagens a países como Cuba, México, Brasil e Índia. Faleceu em 2020.
Rose Lowder (1941, Lima, Peru) é uma artista e cineasta que vive e trabalha em França. Estudou Belas Artes em Lima e depois em Londres. De 1964 a 1972, trabalhou na montagem de documentários, longas-metragens, publicidade e programas da BBC, em paralelo da sua prática artística. Desde 1972, vive e trabalha em Avignon e, desde 1977, tem-se dedicado inteiramente à realização, programação e investigação em torno de cinema experimental. Em 1981, co-fundou os Archives du Film Expérimental d’Avignon. A sua obra, com mais de quarenta filmes, é reconhecida entre as mais relevantes do cinema experimental francês. Trabalhando fotograma a fotograma, com uma câmera Bolex, filma processos naturais e paisagens das zonas rurais da Provence. Entre 1996 e 2005, foi professora associada de História, Teoria e Estética do Cinema Experimental, na Universidade Panthéon-Sorbonne, em Paris. O seu trabalho foi exibido em museus e instituições como o MoMA, Tate, Centre Pompidou, Ontario Art Gallery. Em 2023, recebeu o prémio AWARE Outstanding Merit 2023, atribuído a mulheres artistas com uma carreira de mais de 40 anos. Os seus filmes são distribuídos pela Light Cone.
Bangkok, 1963. M.A. em Media Studies da New School for Social Research, em Nova Iorque onde, nos anos 90, trabalhou em cinema. Em 2001, fundou Found Footage, um grupo independente de cinema. Escreve sobre cinema para várias publicações tailandesas.
Nasceu em 1957. Formou-se em Filosofia na Universidade de Tóquio. Depois de trabalhar como assistente de realização em Innocent Sea: Minamata (Dir.: Naotaka Katori) em 1981, começou a viver em 1988 nas montanhas de Niigata com uma equipa de filmagem de sete pessoas para realizar Living on the River Agano (1992). Este filme ganhou vários prémios, incluindo o Prémio para Novos Artistas do Ministério da Educação. Depois disso, produziu, realizou e editou uma grande variedade de filmes e programas de televisão, incluindo Artists in Wonderland. O seu último filme, Out of Place: Memories of Edward Said (2005), foi lançado em DVD nos EUA. Sato faleceu em 2007.
Sergey Dvorstsevoy é um realizador do Cazaquistão que chegou ao cinema no início dos anos 90, depois de quase uma década como especialista em navegação aérea. As três curtas-metragens documentais que realizou até à data foram aclamadas pela crítica pela sua abordagem naturalista e lírica ao retratar sociedades isoladas e nómadas.
Nasceu no Brasil em 1965, filho de mãe francesa e de pai português no exílio. Formou-se em filosofia na Sorbonne e começou a sua vida profissional em Lisboa onde se dedicou à realização. Os seus documentários foram exibidos em cinemas e festivais de mais de 40 países, recebendo sucessivos prémios: Outro País (1999), Fleurette (2002), Lisboetas (2005), A Cidade dos Mortos (2009), Alentejo, Alentejo (2014), Treblinka (2016). A sua primeira longa metragem de ficção, Viagem a Portugal (2011), com Maria de Medeiros e Isabel Ruth, também recebeu vários prémios internacionais. Raiva (2018) e A Noiva (2022) são as suas últimas longas-metragens.
Sílvia das Fadas (1983, Coimbra, Portugal) é uma cineasta, investigadora convivial e educadora radicada no sul de Portugal. Ela possui um mestrado em Cinema e Vídeo pela CalArts (EUA), foi bolsista de cooperação na Akademie Schloss Solitude em 2019 e bolseira visitante no Center for Place Culture and Politics, The Graduate Center, CUNY, em 2020. Atualmente, Sílvia é candidata ao PhD-in-Practice na Academia de Belas Artes de Viena, apoiada por uma bolsa da FCT. A sua filmografia recusa a digitalização do mundo. Ela está interessada na política intrínseca às práticas cinematográficas e no cinema como forma de estar junto na inquietação e na rutura.
Sueli e Isael Maxakali são cineastas do povo Tikmũ’ũn (Maxakali), que vive na Aldeia-Floresta-Escola em Minas Gerais, Brasil. Desde os anos 2000, realizam filmes por meio de processos colectivos com as suas comunidades, os povos-espírito yãmīyxop e vários colaboradores. As suas produções cinematográficas estão enraizadas na luta pelo território, ao mesmo tempo em que desenvolvem uma estética própria, moldada pelos espíritos yãmĩyxop, cantos, rituais e práticas de cuidado com a terra.
Lisboa, 1962. Pós-graduação em Estética e Filosofia da Arte, Universidade de Lisboa. Licenciatura em Artes Plásticas/Pintura, Universidade de Lisboa Curso de Cinema, Escola Superior de Teatro e Cinema. Docente na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Susana de Sousa Dias é uma cineasta e artista portuguesa. As suas instalações exploram a dialética da história e da memória, questionando regimes de visibilidade estabelecidos com foco no arquivo. Utilizando fotografias e imagens de arquivo, os seus primeiros trabalhos (2000-2017) tratam da memória da ditadura em Portugal. Através de depoimentos de presos políticos, e resultante de extensa pesquisa nos arquivos nacionais, o seu trabalho desempenhou um papel importante na denúncia pública da repressão violenta e da tortura utilizada pelo regime. Mais recentemente, dirigiu Fordlandia Malaise, em 2019, e co-dirigiu Viagem ao Sol, com Ansgar Schaefer, em 2021. Colabora frequentemente com o irmão António de Sousa Dias, compositor e artista, na criação da banda sonora dos seus filmes. O seu trabalho recebeu inúmeros prémios e foi apresentado em todo o mundo. Em 2012, criou um coletivo feminino que dirigiu o Doclisboa durante duas edições, estabelecendo novas secções como Cinema de Urgência e Passagens (Documentário & Arte Contemporânea). Ela é cofundadora da produtora Kintop. É doutorada em Belas Artes-Vídeo e leciona na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
Nasce em Lisboa em 1974. Em 1998 termina a licenciatura em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Desde aí realizou filmes que foram exibidos em festivais como Cannes, Berlinale, Rotterdão, BFI London Film Festival, Festival d’Angers, Viennale, Vila do Conde, Rio de Janeiro, Zinebi, entre outros. Em 2006 fundou a produtora Terratreme (antiga Raiva), onde tem feito a produção executiva de diversos projectos.
Sylvain George nasceu em Lyon, França. É licenciado em filosofia, direito e ciências políticas e cinema (EHESS, Sorbonne). Desde 2006, realiza documentários sobre os temas da imigração e dos movimentos sociais.
Porto, 1978. Licenciou-se em Cine-Vídeo na ESAP, fez a formação dos ateliers Varan no Programa Gulbenkian de Criatividades e Criação Artística, acompanhou o Seminário de Jean Rouch “Anthropologie et Cinema” na Cinemateca Francesa e concluiu o mestrado em cinema documental da ESMAE-IPP.
Tem como actividade principal a realização de filmes de pendor documental, tendo realizado filmes de intervenção e reflexão política, mas também obras de cariz autobiográfico e experimental. Realizou ainda vários trabalhos de instalação-vídeo.
Trevor Mathison é artista, compositor, designer de som e técnico de gravação. A sua prática sonora – centrada na criação de paisagens auditivas fragmentadas e perturbadoras, e na integração de música existente – apareceu em mais de trinta filmes e instalações premiadas. Trevor foi membro fundador do coletivo de artistas cineculturais The Black Audio Film Collective (1982 -1998), onde os seus designs sonoros definiram e situaram as obras audiovisuais do Coletivo, incluindo Signs of Empire (1983), Handsworth Songs (1986) e O Último Anjo da História (1996). Ele continuou a trabalhar com alguns dos seus ex-colaboradores do BAFC (John Akomfrah, Lina Gopaul e David Lawson) fazendo design de som para vários documentários e instalações. Com Anna Piva e Edward George, formou os projetos “Flow Motion” e “Hallucinator”, cujo techno dub mutante teve destaque na editora discográfica de referência Chain Reaction. Nos últimos anos, Trevor produziu uma série de obras de arte e lançamentos de álbuns como parte do projeto contínuo e iterativo From Signal to Decay.
Gary Stewart é um artista interdisciplinar que trabalha na interseção entre som, imagem em movimento e criatividade computacional. O seu trabalho evoca questões sociais e políticas de identidade, cultura e tecnologia. Através do uso de tecnologias e práticas inovadoras, faz parte de uma rede global de colaboradores que defendem a igualdade, a justiça climática e uma melhor saúde através das artes, especialmente aqueles de comunidades marginalizadas. Operando através de uma série de enquadramentos teóricos, ficcionais e artísticos, o seu trabalho atravessa a arte mediática, a música experimental e a investigação. Sob o apelido de Bantu, Gary propõe-se a explorar e trazer novas perspectivas e, em particular, para “Black Noise”. O recente lançamento de Bantu, Instabilidade (2024), baseia-se tanto na experiência pessoal quanto no trauma coletivo – o de uma diáspora submetida aos rigores de um “ambiente hostil” prolongado. Como Dubmorphology, Trevor Mathison e Gary Stewart criam instalações e performances que incorporam elementos de dub e música concreta que funcionam como um agente de ligação para materiais visuais díspares que são unidos pelo que pode ser chamado de “ruído pós-soul”.
Trinh T. Minh-ha é escritora, teórica, compositora e cineasta cuja prática se posiciona principalmente nos campos dos estudos feministas e pós-coloniais. Nascida em Hanói, emigrou para os EUA durante a Guerra do Vietname, onde estudou composição musical, etnomusicologia e literatura francesa. Enquanto lecionava em Dakar, no Senegal, criou o seu primeiro filme, Reassemblage (1982), que documenta a vida das mulheres na zona rural do Senegal de uma forma que ela descreveu como “speaking nearby” em vez de “speaking about” os sujeitos que retrata (pode traduzir-se como “falar aproximadamente” em vez de “falar sobre”). Tem desafiado consistentemente o formato documental tradicional e tem desconstruído formas normativas de olhar e ouvir diferentes culturas, ao mesmo tempo que se dedica a questionar sistemas totalizantes de conhecimento e categorias de identidade. Ela considera que cada obra existe como um “evento de fronteira”, fugindo de rótulos como documentário, ficção ou filme experimental, posicionando o seu trabalho entre essas designações. Paralelamente a obras audiovisuais, publicou numerosos ensaios e livros sobre cinema, política cultural, feminismo e artes. É professora de retórica e de estudos de género e mulheres na Universidade da Califórnia, Berkeley.
Valentina Alvarado Matos (Maracaibo, Venezuela, 1986) é uma artista sediada em Barcelona. A sua prática foca-se na colagem, utilizando diversos suportes: papel, película fílmica, cerâmica. Através da reflexão sobre a imagem e a sua materialidade, levanta questões relacionadas com as identidades diaspóricas, a paisagem e a linguagem. A sua obra foi exibida no Museum of Moving Image New York, Microscope Gallery, Los Angeles Film Forum, Viennale, IFFR, Oberhausen, Festival Punto de Vista, XCéntric, SFCinemateque, (S8) Mostra Cine Periférico, Salzburger Kunstverein, Conde Duque Madrid, Filmoteca da Catalunha, entre outros. O seu trabalho cinematográfico é distribuído pela Light Cone.
Nascido no País Basco em 1940, Víctor Erice é um dos mais notáveis cineastas europeus. O seu primeiro filme, O Espírito da Colmeia (1973) alcançou um enorme sucesso junto da crítica e público internacionais, sendo considerado um dos melhores filmes espanhóis já feitos. Segue-se O Sul (1983), apresentado na Selecção Oficial de Cannes, e O Sol de Marmelo (1992), realizado em colaboração com o artista Antonio Lopez, que ganhou o Prémio do Júri e o Prémio FIPRESCI em Cannes. Nos últimos 30 anos, Erice tem-se dedicado a uma variedade de projectos colectivos, à realização de curtas-metragens e de documentários. Cerrar los Ojos é a sua primeira longa-metragem de ficção em trinta anos.
“Em novembro de 2023, um grupo reuniu-se em resposta ao genocídio em Gaza. Mais de cinquenta pessoas, cada uma mais ou menos isolada, gravaram pequenos vídeos nos locais onde se encontravam, mas sempre em nome do grupo. Chamámos a isto Video Tracts for Palestine. É um gesto antigo, enraizado nos famosos ciné-tracts dos anos 1960 contra a guerra no Vietnã e no contexto de Maio de 68. Vídeo porque o trabalho circula e é partilhado nas redes sociais, sobretudo no Instagram. Um acto imediato, nascido da urgência…”
Li Yifan nasceu na China, em 1966. Estudou no Central Drama Institute, em Pequim, trabalhando mais tarde como realizador e argumentista para TV. Em 2001 fundou o Fan & Yu Documentary Studio em Chongqing.
Yan Yu, nascido também na China, em 1971. Trabalhou como jornalista e como operador de câmara em documentários e publicidade, até 1998. Em 2001 fundou o Fan & Yu Documentary Studio em Chongqing com Li Yifan.