2026 Odemira
    Com a presença de
Undercurrents, counterspells

O que pode o cinema ainda fazer quando a omnipresença de imagens fê-las perder a sua capacidade de perturbar? Quando o vínculo entre imagem e ação parece ter sido rompido? O seminário Doc’s Kingdom 2026 parte destas questões para uma reflexão mais ampla sobre as condições de produção, divulgação, e recepção de imagens em tempos de expropriação acelerada e de brutalidade colonial genocida.

 

Assim, o programa inspira-se no trabalho de cineastas comprometidos com a imaginação revolucionária e com a reflexão sobre imagens históricas—que anteriormente se acreditava poder transmitir tal imaginação. Inspira-se ainda nas formas coletivas e comuns que nunca foram propriedade de uma única pessoa ou entidade, e na opacidade das imagens como reivindicação política. Em conjunto, os filmes dos cineastas evocam cinco séculos de resistência mesoamericana à violência colonial, evocam o movimento de libertação palestiniano e as consequências de experiências utópicas na ex-Jugoslávia, no Líbano do pós-guerra e no Portugal rural. O que une estes cineastas é menos um tema do que um conjunto de contra-correntes partilhadas: a recusa em conceber a imagem como mera prova documental; a memória como trabalho de desorientação coletiva e a criação de transes visuais e sónicos capazes de reativar uma sensibilidade entorpecida por feitiços algorítmicos.

 

Estes filmes resistem a uma tradução para a gramática audiovisual dominante e exigem dos seus espectadores algo que a atual economia da imagem desencoraja ativamente: arriscar contrafeitiços capazes de sacudir os nossos corpos e levá-los a movimentos.

 

>> Inscrições e mais informações aqui.

Sessão #1,
Mais informação em breve.
Sessão #2,
Co-direção
Stefanie Baumann, Catarina Boieiro
Comité de programação
Jowe Harfouche, Victor Guimarães, Catarina Boieiro, Stefanie Baumann
Direção de produção
Raquel Rolim Batista
Assistente de produção
Vítor Paixão
Diretor técnico
Lucas de Lima
Comunicação
Mariana Silva
Hospitalidade
Ana Manana
Identidade Visual e design gráfico
Nuno da Luz
Produtor local
Ricardo Amélio
Técnica de som
Mariana Pinho
Annalisa D. Quagliata Blanco

Annalisa D. Quagliata Blanco (1990, Veracruz, México) é uma artista visual e cineasta cujos filmes e instalações exploram o corpo humano e o retrato como espelhos de diferentes estados de ser, abrangendo as esferas pessoal, social e política. Tem um interesse particular no cinema analógico e feito à mão como meio para captar a poética da luz, da materialidade e da imagem em movimento. A sua primeira longa-metragem, “Aoquic iez in Mexico! Mexico will no longer exist!”, estreou-se em 2024.

 

Quagliata Blanco cresceu na Cidade do México e viveu em Taiwan, Nova Iorque e Boston, onde se licenciou no Massachusetts College of Art and Design. Atualmente, Quagliata Blanco vive e trabalha na Cidade do México.

Filmes apresentados
Camilo Restrepo

Camilo Restrepo (1975, Medellín, Colômbia) realiza filmes na intersecção entre o documentário, a performance, e o cinema experimental.

 

Usando recursos estilísticos minimalistas e de técnicas analógicas, as escolhas formais e os métodos de produção de Restrepo articulam-se com os temas explorados na sua filmografia: os protagonistas personificam formas de resistência contra a sociedade dominante. Trabalhando principalmente em 16mm, Restrepo encarrega-se da maioria das etapas da produção: filmagem, revelação de negativos, e montagem. Até à data, a filmografia de Restrepo compreende oito curtas-metragens e duas longas-metragens.

 

Restrepo é membro do coletivo L’Abominable, que funciona como um laboratório de produção cinematográfica independente, especializado na produção em celulóide e na revelação de filmes. Formado em 2004 pela École des Beaux-Arts de Paris, Restrepo vive em França desde 1999.

Filmes apresentados
José Álvaro Morais

José Álvaro Morais (1943-2004) foi um realizador e escritor português, que trabalhou entre a docuficção e a ficção. Recorrendo frequentemente ao humor e à ironia, os filmes de Álvaro Morais refletem tanto sobre a história como sobre o mito, abordando de forma lúdica temas como o do “Sul” e as mudanças na sociedade portuguesa desde a Revolução dos Cravos. Álvaro Morais é conhecido por filmes como “O Bobo” (1987), “Zéfiro” (1993), “Peixe-Lua” (2000) e “Quaresma” (2003).

Filmes apresentados
Marta Popivoda

Marta Popivoda (Berlim/Belgrado) é cineasta, artista e investigadora. O seu trabalho explora as tensões entre a memória, a história e a ideologia, bem como as relações entre corpos coletivos e individuais. Aborda estes temas a partir de uma perspetiva feminista e queer e valoriza a prática coletiva na criação artística e na investigação. Durante vinte anos, fez parte do coletivo TkH (Walking Theory). No seu trabalho recente, Popivoda recorre à dramaturgia paisagística, à narrativa feminista e à lentidão radical para criar cenas de memória antifascista e ecofeminista. É professora de cinema na Universidade das Artes de Amesterdão e é membro da European Film Academy.

Filmes apresentados
Mohamed Soueid

Mohamed Soueid (Beirute, 1959) é um escritor, realizador e produtor libanês, pioneiro do cinema não narrativo e de não-ficção no Líbano do pós-guerra. Realizou o seu primeiro filme, “Absence” (Ghiyab), em 1990, e pouco depois integrou a equipa de TéléLiban, o principal canal de televisão público do Líbano, onde realizou documentários, séries dramáticas, e curtas-metragens experimentais, incluindo “Cinema Fouad” (1993), “Destinée” (1996) e “Being Camilia. ” Começou a trabalhar na sua trilogia autobiográfica, poética e crua, “Tango of Yearning” (Tango al-Amal, 1998), “Nightfall” (“Indama Ya’ti al-Masa”, 2000) e “Civil War” (Harb Ahliyyah, 2002), enquanto ainda estava na TéléLiban.

 

Como crítico de cinema, romancista e dramaturgo, é autor de vários livros sobre o cinema libanês e árabe, incluindo “A Postponed Cinema: Lebanese Civil War Films” (Beirute: Instituto de Estudos Árabes, 1986), “Oh My Heart; Uma História dos Cinemas na Antiga Beirute” (Beirute: An-Nahar, 1996), tendo publicado um romance intitulado “Cabaret Souad” (Dar al-Adab, 2004).

Filmes apresentados
Oraib Toukan

Através de uma obra diversificada que abrange cinema, fotografia e texto, Oraib Toukan (1977, Boston) explora interpretações alternativas, nativas e vernáculares das imagens, recorrendo frequentemente à língua árabe. Até 2019, foi bolseira Clarendon na Universidade de Oxford, na Ruskin School of Art, onde concluiu o seu doutoramento. Atualmente, leciona no programa de Mestrado em Belas Artes do Bard College, em Nova Iorque, e foi bolseira de investigação em prática artística no EUME, em Berlim, até 2026, bem como no Instituto Harun Farocki. É autora dos livros “Sundry Modernism: Materials for a Study of Palestinian Modernism” (Sternberg Press, 2017) e “Things Bigger Than What Can Be Seen” (Archive Books, 2026).

Filmes apresentados
Sílvia das Fadas

Sílvia das Fadas (nascida Sílvia Salgueiro) é uma artista e cineasta, investigadora convivial, que vive no sul de Portugal. Interessa-se pela política intrínseca às práticas cinematográficas e pelo cinema como forma de estar em conjunto na inquietação e na fragilidade. A sua prática artística envolve investigação, textos, filmes em 16mm, curadoria e pedagogias alternativas, evocando desvios e metamorfoses a partir de margens utópicas.

Desde 2021, tece propostas situadas através do Cinema Fulgor, um cinema com raízes móveis pelo interior do Alentejo e além. A sua prática artística envolve investigação, textos, filmes em 16mm, curadoria e pedagogias alternativas, evocando desvios e metamorfoses a partir das margens utópicas.

Filmes apresentados