Sábado 21 Novembro 2026, 21h — Cinemateca Portuguesa (Sala Luís de Pina)
A Nossa Voz de Terra, Memória e Futuro
(Nuestra Voz de Tierra, Memoria y Futuro)
Marta Rodríguez & Jorge Silva
1981 | Colômbia | 105′ | castelhano, com legendas em português
Sessão apresentada por Victor Guimarães.
Como prolongamento do Doc’s Kingdom 2026: Undercurrents, counterspells, de 13 a 18 de novembro em Odemira, a Cinemateca Portuguesa acolhe uma sessão especial do filme Nuestra Voz de Tierra, Memoria y Futuro, realizado por Marta Rodríguez e Jorge Silva (Colômbia, 1981).
A sessão é precedida de uma apresentação por Victor Guimarães que contextualiza o trabalho colaborativo de Marta Rodríguez, documentarista e antropóloga, com o diretor de fotografia autodidata Jorge Silva, ao longo de décadas, relacionando ainda o filme com o programa apresentado em Odemira.
“Em Nuestra voz de tierra, memoria y futuro, um relato exaustivo das lutas da comunidade indígena de Coconuco, na Colômbia, entrelaça-se com sequências alegóricas altamente estilizadas. No entanto, a obra não estabelece uma distinção clara entre documentário e ficção. A história da formação do Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC) é tão essencial para o filme como as suas encenações de narrativas mitológicas.
Esta interação constante entre o pensamento mágico e o discurso político cria uma estrutura complexa moldada por anos de investigação etnográfica que Marta Rodríguez realizou junto das comunidades Paeces, Guambianos e Arhuacos da região. Tudo começou com uma exibição falhada de Campesinos (1975), o seu filme anterior, para os membros do CRIC. […] As formas cinematográficas complexas de Nuestra voz de tierra, memoria y futuro nunca conseguiram superar os desastres provocados por séculos de opressão. No entanto, a energia que geram torna-se material sensorial para perceber a realidade, alimento para a imaginação política e combustível para as lutas que se avizinham.” — Victor Guimarães
Victor Guimarães, programador, crítico de cinema e professor brasileiro, atualmente programador do FICValdivia (Chile) e diretor artístico do FENDA (Brasil), que já foi curador de programas em eventos como o XCèntric (Barcelona), o Essay Film Festival (Londres), a Woche der Kritik (Berlim) e a Cinemateca de Bogotá.
Marta Rodríguez nasceu em Bogotá, na Colômbia, em 1933. Com formação em sociologia, mudou-se para Paris em 1961 para estudar antropologia, etnologia e cinema, ondeconheceu o realizador de documentários francês Jean Rouch. Em 1965, regressou a Bogotá e prosseguiu os seus estudos de antropologia. Fundou também o clube de cinema estudantil Ocho y Medio e conheceu aquele que viria a ser o seu marido, o fotógrafo e operador de câmara Jorge Silva. Juntos, trabalharam em Chircales (1971), o primeiro de muitos projetos cinematográficos em conjunto. Rodríguez continua a trabalhar como realizadora de documentários. Concluiu o seu mais recente filme, La Sinfónica de los Andes, em colaboração com o seu filho Lucas Silva.
Jorge Silva nasceu em Girardot, na Colômbia, em 1941, e cresceu em Bogotá. Estudou literatura e artes visuais e trabalhou como fotógrafo e jornalista. No início da década de 1960, envolveu-se no movimento dos clubes de cinema estudantis e realizou o seu primeiro filme, Días de Papel. Ele e Marta Rodríguez conheceram-se em 1965 e casaram-se mais tarde; juntos, realizaram o seu primeiro filme em conjunto, Chircales (1971). Para além da sua estreita colaboração nas décadas seguintes, ele também trabalhou como diretor de fotografia noutros projetos. Jorge Silva faleceu em 1987.
>> Convites disponíveis através de reserva por email: docskingdom@docskingdom.org
Sessão organizada com o apoio da Embaixada do Brasil em Portugal, em parceria com a Cinemateca Portuguesa.